Entenda a nova prisão do dono do Banco Master
Entenda a situação do Banco Master e a prisão de Daniel Vorcaro por comandar uma milícia e ameaçar jornalistas.
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso preventivamente nesta quarta-feira (4) por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A nova prisão ocorre após a Polícia Federal encontrar provas de que o empresário comandava uma “milícia privada” para corromper servidores públicos e ameaçar fisicamente opositores e jornalistas que investigavam as fraudes na instituição.
As investigações apontam que o grupo criminoso, denominado “A Turma”, utilizava métodos violentos e espionagem ilegal para proteger os interesses do banco. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro revelam ordens explícitas para agredir um jornalista e simular um assalto para “quebrar todos os dentes” da vítima, além de menções a sequestros forjados.
Além da violência física, o esquema envolvia a cooptação de servidores do Banco Central. Segundo a decisão judicial, chefes da supervisão bancária recebiam propinas mensais de até R$ 1 milhão para atuar como consultores informais, antecipando fiscalizações e facilitando a aprovação de documentos fraudulentos.
Espionagem e acesso a dados sigilosos
A organização criminosa também é acusada de monitorar ilegalmente autoridades e acessar bancos de dados sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público, da Interpol e até do FBI. O objetivo era antecipar passos da investigação e intimidar quem representasse risco aos negócios do grupo financeiro.
Esta é a segunda vez que Vorcaro é detido no âmbito da Operação Compliance Zero. A primeira prisão ocorreu em novembro de 2025, quando tentava fugir do país pelo Aeroporto de Guarulhos, logo após o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master devido a um rombo financeiro bilionário e indícios de gestão fraudulenta.
O colapso do banco revelou a emissão de cerca de R$ 50 bilhões em títulos (CDBs) sem lastro, ou seja, sem garantia real de pagamento. A instituição vendia produtos com rendimentos muito acima do mercado para atrair investidores e cobrir buracos no caixa, uma prática que especialistas apontam como insustentável e criminosa.
Impacto para investidores e clientes
A quebra do Banco Master arrastou outras empresas do grupo, como o banco digital Will Bank e a corretora Reag, afetando milhões de clientes em todo o país, inclusive em Santa Catarina. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já iniciou o pagamento das garantias de até R$ 250 mil por CPF, mas o volume de indenizações, estimado em R$ 51 bilhões, pressionou o caixa da entidade.
Para tentar ressarcir os prejuízos ao sistema financeiro, o STF determinou o bloqueio de R$ 22 bilhões em bens de Vorcaro e de outros envolvidos. Além do banqueiro, a Justiça ordenou o afastamento dos servidores do Banco Central suspeitos de envolvimento no esquema, que passarão a usar tornozeleira eletrônica.
Clientes do Will Bank, voltado ao público de baixa renda, enfrentam a situação mais delicada. Como as contas de pagamento não são cobertas pelo FGC, o reembolso depende da devolução de recursos custodiados no Banco Central, processo que ainda está em andamento e deixa correntistas sem acesso ao próprio dinheiro.
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